Na verdade, ano passado quando participei da meia maratona de BH, mas fazendo 6 km, depois de ficar um tempo contemplando a lagoa, no caminho de volta para o carro, ainda vi pessoas chegando. Naquela hora pensei, caramba, eu aqui molengando, fazendo só 6k, e senhoras, senhores, ali, buscando completar os 21k, não importa o tempo. Naquele dia pensei em fazer a meia de BH deste ano. Mas não fiz. Não me preparei, viajei de férias e achei que seria loucura, ainda mais que passei um tempo sem correr por causa da cirurgia.
Foi aí que surgiu a Golden Run! Fiz a inscrição. Teria uns três meses para me preparar. Mas não me preparei como deveria. Estas duas semanas que antecederam a prova, tive tudo que se pode imaginar: dores onde não precisava, sono excessivo, lágrimas nos olhos, e pouco treino. Foi um período em que precisei tomar decisões, fiquei uma semana sem saber o que seria, e acho que o nível de stress foi lá em cima. Resumindo, nem a minha cabeça eu consegui trabalhar, pois estava voltada para o meu futuro profissional.
Foram uns 3000 inscritos. Foi fácil estacionar. Passei na tenda da Galo Runners e me reuni com a galera do Eu Corredora, que na verdade somos Super Amigos. Tirei umas fotos e já era hora de largar. Busquei ir no meu ritmo. Afinal de contas, se não havia me preparado para a prova, ela teria que ser levada na brincadeira mesmo. Acho que meu único receio foi de ser a última. Mas acho que não fui não.
Pontos de hidratação ok. Muito gatorade no caminho. E tomei muito viu! De repente, parecia que estava sozinha. Alguns no meu ritmo, outros ainda mais lentos. Ainda nos primeiros 10k, comecei a sentir o atrito da meia (comprei a meia ontem na feira da Golden Run, e nunca estreie um produto num dia de prova). Continuei. Mas chegou um ponto que precisei parar, tirar o tênis e ver se ajeitava a meia para parar de machucar. Não deu certo!
Aos 12k tinha um ponto de gel, mas quem ficou para trás dançou. Não tinha mais. O jeito foi gatorade. Precisei parar para ir ao banheiro. E sinceramente, fez toda a diferença para terminar a prova. Quando falo isso, é porque odeio banheiro químico. Quem me conhece sabe como sou fresca.
Quando cheguei nos 18k, uma alegria atingiu meu coração. Esta é a quilometragem da Volta Internacional da Pampulha. E olhei no relógio, com todas as dificuldades havia abaixado meu tempo. Neste momento, minha cabeça dizia: vamos, você vai conseguir fazer num tempo melhor; corre... Mas meu corpo e o atrito da meia nos meus pés não deixavam. E acabei levando mais tempo para terminar.
Dei o meu melhor para cruzar a linha de chegada, mas meu tiro não chegou nem proximo do que sei que consigo. Parei meu relógio. Tinha fome, tinha dor. Corri (modo bem figurado de dizer) para pegar minhas coisas e coloquei meu chinelo. Tomei meu Rebuild Strength (me salva na recuperação sempre). E fui para a massagem. Santa massagem. Tinha o lance de entrar no gelo, mas tinha em mente ir para a piscina. Mas não consegui dar nenhum passo depois que cheguei em casa.
Agora que estou começando a curtir a conquista. Pensar que apesar de tudo, eu conclui a prova! Pensar que tudo começou lá na Nova Zelândia depois de um fim de relacionamento e eu precisava de algo para direcionar melhor minha energia. Que foi isto que me fez chegar em casa todos os dias e ir fazer um percurso de 5km na praia. E que hoje eu fiz 21K!
Ainda penso em voltar lá para participar de alguma prova. Afinal de contas, tudo começou lá. Mas por enquanto, meu foco está voltado para as provas de 5k. Levar a sério, mas nem tanto, mas fazer melhor. Pois este tempo todo foi na brincadeira, embora ela não possa deixar de existir, senão deixa de ser distração, terapia, prazer.
P.S.: Até o momento resisti à inscrição na Volta da Pampulha. Foco nos 5k. Tive momentos de contemplação hoje também. O dia estava lindo e a vista da Lagoa é sensacional em alguns pontos dela.
Comentários
Postar um comentário