Finalmente estou de volta e morrendo de vontade de correr, embora o corpo ainda peça calma neste retorno. Foi um longo tempo sem escrever. Acredito que por não estar praticando atividade física, não tive a inspiração necessária para estar aqui promovendo saúde. No entanto, não é somente a atividade física que determina a nossa saúde.
Na semana passada eu li uma notícia que me assombrou: o Brasil é um dos países mais depressivos e mais ansiosos do mundo (http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2017/02/23/brasil-tem-maior-taxa-de-transtorno-de-ansiedade-do-mundo-diz-oms.htm) e isto me assustou. Então comecei a olhar para mim e ver que eu não estava sozinha. Na verdade, dos seus amigos, quem não toma ou nunca tomou remédio para depressão ou ansiedade? E refletindo sobre isto, percebi que o mundo à nossa volta não anda nada bem.
O livro "Ansiedade" do Augusto Cury está entre os mais vendidos na lista da Veja. E a prova é tanta que na promoção da Saraiva no Dia da Mulher a pilha dele foi embora (minha observação). E é claro que eu comprei. Quero entender o que se passa comigo e o mundo à minha volta. Afinal de contas, ansiedade não é um problema só meu.
O livro é bem mais técnico do que eu esperava, e talvez precise ser relido algumas vezes para que a informação seja assimilada e aplicada. Cury defende a ideia de que somos preparados a vida toda para o conhecimento, o trabalho, mas não somos preparados emocionalmente para as intempéries da vida. Não sabemos lidar com os nãos e as frustrações. E neste ponto, fico pensando sobre esta nova geração, permissiva, que quer e manda e os pais que obedecem. Como ela vai ser? Ou já é?
O autor passa uma lista de 25 itens para utilizarmos e um deles é se colocar no lugar do outro. Este é um ponto importante para a convivência em sociedade, acredito eu. Mas eu acho que o mais importante é aprender a se desconectar. E me refiro a tudo: do virtual, do coletivo, da TV, do mundo, da opinião dos outros.
Estamos em um mundo onde a informação corre rápida. Temos pressa. A espera, mesmo que seja mínima, irrita. Precisamos daquilo para ontem. Entramos no automático. E como sair disso? Temos duas opções: esperar que o nosso corpo grite e nos faça parar ou pisar no freio antes que cheguemos a tal ponto.
Eu sempre repito que se não fosse a atividade física eu já teria pirado. Mas não é só ela. É urgente a mudança interna, a mudança na rotina. Dar tempo a si mesmo. Eu apelei para o lado espiritual. Mas cada um deve fazer o que for melhor para si.
Trabalhar a mente para que ela se acalme não é nada fácil. Mas é necessário. Hoje, quando percebo que estou entrando num ritmo mais acelerado no trabalho, dou uma parada, respiro, e respiro e respiro até sentir que minha cabeça está boa novamente. Não adianta eu insistir, pois o risco de erros é maior. E foi complicado enxergar isto. Também estou buscando me permitir apreciar mais. Apreciar a paisagem, os passarinhos, as pessoas, as ruas. Até me permiti sair de ônibus e caminhar um pouco para ver isto.
O carro reduz o nosso tempo e ajuda muito, mas para quem dirige, por mais automatizado que já esteja, exige atenção e não podemos ficar distraídos observando a arvore, o cachorro, o estabelecimento novo que abriu na rua.
Saia da rotina, aprecie a natureza, respire e inspire. Dance, veja um filme. Observe você mesmo? Você está entre os 18,6 milhões de brasileiros que sofrem transtorno de ansiedade ou entre os 11.5 milhões que sofrem de depressão? Se estiver, faça algo para mudar isto. Procure ajuda.
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