Quando postei esta foto ao lado no Intagram, uma das minhas amigas fez o comentário: "super motivação". Foi então que olhei para o meu porta-medalhas e me resolvi contar quantos espaços tinham e me toquei que esta seria a motivação para eu continuar participando das corridas.
Preciso participar de mais 11 corridas para completar o meu porta-medalhas. Mas o mais interessante foi começar a olhar para cada uma delas e pensar na história que elas me traziam, nos sentimentos envolvidos em cada uma delas.
A primeira aconteceu em Auckland. A inscrição aconteceu na véspera da primeira prova da série. Vi por um acaso a entrega dos kits no shopping, perguntei o que era e a moça me explicou prontamente. Então falei que não conseguiria correr e ela disse, você pode caminhar. Neste momento, a lâmpada acendeu, levei o formulário para casa e fiquei pensando se me inscreveria somente para uma das três ou para todas. Eu estava num momento super conturbado, perdida, triste, decepcionada e minha energia não estava sendo direcionada para o lado certo. No dia seguinte, estava lá fazendo minha inscrição para a caminhada de 5k. Somente sabia que iria acordar cedo, participar da caminhada e voltar para trabalhar a tarde.
E lá estava eu no domingo. Sozinha, debaixo de chuva, mas disposta a completar o percurso. E foi duro. Na metade do caminho já estava quase desistindo, e via pessoas idosas passando por mim correndo ou andando mais rápido do que eu, então apertei o passo. Naquele momento eu somente pensava em completar e completar. Cruzar a linha de chegada foi uma vitória incrível e cada dor que senti valeu a pena e me fez bem.
Dali em diante passei a treinar para as próximas provas. Saia do serviço, passava em casa, trocava de roupa e descia para caminhar na praia. E fui reduzindo o meu tempo a cada prova, até que terminei numa posição bem interessante para quem começou de improviso. Neste prazo de 40 dias, consegui não somente reduzir meu tempo, mas melhorar o meu emocional, voltar a me centrar, sentir bem com o meu corpo e comigo mesma. Talvez o que tenha me motivado a participar da prova não tenha sido um dos melhores sentimentos, mas definitivamente tornou-me melhor.
A segunda medalha foi da Caminhada da Esperança e foi a primeira prova no Brasil. A terceira marcou minha estréia na corrida. E mais do que cruzar a linha de chegada, esta medalha simboliza o que vi no meio da corrida: pessoas apaixonadas pelo esporte e solidárias. O Circuito das Estações Inverno Belo Horizonte foi para mim o pontapé inicial para a entrada no esporte. Já a quarta medalha, do Circuito Lótus, prova que tentei me inscrever e não consegui e no final das contas acabei sendo sorteada, tem gostinho de que preciso continuar correndo.
Tenho muito o que desenvolver ainda, mas depois de um treino ou de uma corrida, que me olho no espelho e vejo meu rosto mais rosado, o cabelo todo desarrumado, sinto-me bem e bonita. E acho que é isto que o esporte faz por nós, seja ele qual for.
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